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CARTA DE LEOPOLDO LUGONES A MANUEL UGARTE: UMA TRADUCAO

Tradução de Rodrigo Conçole Lage

Graduado em História (UNIFSJ). Especialista em História Militar (UNISUL)

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Apresentamos uma tradução literal da resposta do jornalista e escritor argentino Leopoldo Antonio Lugones (1874-1938) a um questionário da escritor, diplomata e político argentino Manuel Baldomero Ugarte em revista “Vida de Hoy”[1], lançando duros ataques contra a democracia. Inicialmente ele esteve ligado ao socialismo, mas, a partir da década de vinte, vai assumindo um caráter sobre os ideais políticos do escritor, pois ele morre em 18 de fevereiro de 1938.

 

Carta de Leopoldo Lugones a Manuel Ugarte

Buenos Aires, 7 de julio de 1937

Senhor Dom Manuel Ugarte

 

Meu estimado amigo:

Não respondi até hoje as perguntas de sua revista sobre a democracia, porque devia publicar antes um artigo com o mesmo tema, que fazia parte de uma série na qual pensei a posição do escritor ante o povo. Passo a fazê-lo na mesma ordem daquelas:

1.ª A democracia atual é o sistema de governo em que o povo exerce a soberanía mediante o sufrágio universal com que designa seus mandatários; sistema que me parece mau, porque segundo nos ensina a experiência, resulta inevitavelmente demagógico, caótico, anárquico, ignorante, corruptor e incapaz da defesa nacional sem a suspensão prévia de seus efeitos.

2.ª Em nenhuma.

3.ª Tal como a temos é uma importação estrangeira impraticável como se vê por seu permanente fracasso. Careço de ideias sobre a democracia futura.

4.ª Existe a meu ver uma crise fatal da democracia.

5.ª A lei chamada de Sáenz Peña[2] é um instrumento da democracia e, consequentemente, um fracasso.

6.ª Por um vigoroso nacionalismo em todos os níveis.

 

Cumprimenta-o cordialmente

Leopoldo Lugones

 

 

Carta de Leopoldo Lugones a Manuel Ugarte (original)

Buenos Aires, 7 de julio de 1937

Señor don Manuel Ugarte

 

Mi estimado amigo:

No contesté hasta hoy las preguntas de su revista sobre la democracia, porque debía publicar antes un artículo con el mismo tema, que formaba parte de una serie en la cual he considerado la posición del escritor ante el pueblo. Paso a hacerlo en el mismo orden de aquellas:

1.ª La democracia actual es el sistema de gobierno en que el pueblo ejerce la soberanía mediante el sufragio universal con que designa sus mandatarios; sistema que me parece malo, porque según nos enseña la experiencia, resulta inevitablemente demagógico, caótico, anárquico, ignorante, corruptor e incapaz de la defensa nacional sin suspensión previa de sus efectos.

2.ª En ninguna.

3.ª Tal como la tenemos es una importación extranjera impracticable como se ve por su fracaso permanente. Carezco de ideas sobre democracia futura.

4.ª Existe a mi ver una crisis fatal de la democracia.

5.ª La ley llamada de Sáenz Peña es un instrumento de la democracia y un fracaso en consecuencia.

6.ª Por un vigoroso nacionalismo en todos los órdenes.

 

Salúdalo cordialmente

Leopoldo Lugones

 

 

Notas

[1] Não conseguimos ter acesso a revista do modo que não sabemos o que foi perguntado. Mas, a partir das perguntas, é possível ter uma ideia do que foi perguntado.

2 É a “lei n° 8.871 Geral de Eleições sancionada pelo Congresso argentino em 10 de fevereiro de 1912, que estabeleceu o sufrágio universal, secreto e obrigatório através da confecção de um padrão eleitoral”. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_S%C3%A1enz_Pe%C3%B1a  Acesso em 02 out. 2019.

 

Bibliografía

SWIDERSKI, Graciela (Dir.). “El epistolario de Manuel Ugarte: 1896-1951”. Buenos Aires: Archivo General de la Nación, 1999, pp. 141. Disponível em: <https://mininterior.gov.ar/agn/pdf/Ugarte.pdf >. Acesso em 23 nov. 2019.

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