Editorial

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Yahveh descendió para ver la ciudad y la torre que los hombres estaban levantando y dijo: «He aquí que todos forman un solo pueblo y todos hablan una misma lengua, siendo este el principio de sus empresas. Nada les impedirá que lleven a cabo todo lo que se propongan. Pues bien, descendamos y allí mismo confundamos su lenguaje de modo que no se entiendan los unos con los otros». Génesis 11:5-7.

Então desceu o Senhor para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam. E o Senhor disse: «Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua; e isto é o que começam a fazer; e agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer. Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro». Gênesis 11:5-7.

But the Lord came down to see the city and the tower the people were building. The Lord said: «If as one people speaking the same language they have begun to do this, then nothing they plan to do will be impossible for them. Come, let us go down and confuse their language so they will not understand each other.» Genesis 11:5-7.

 

[ES]

 

Un vagón que viaja a toda velocidad desde el este de Brooklyn se aclara, lentamente, en su escalada hacia Manhattan. Pero aun, en el oído del subsuelo traquetean mil acentos. La calle 32 entre la quinta y la sexta es el imperio de los ideogramas. En el fondo de una barra de Harlem se escucha a parroquianas que se dirigen las unas a los otras usando a un tiempo la lengua de Juan Rulfo y Angela Davis. Es la lengua bífida, trífida, míxfida que se asoma olisquear el aroma y calcular la cerrazón. Un hombre de la India sirve café en la 34 y, tras una ventanilla, una mujer árabe convierte en dólares los euros, alquimia del mercado global.

Os proponemos un juego, rebeldía para soñadoras, vamos a practicar el transformismo: los centros por sus bordes, como quien le da la vuelta a un suéter, aprovechemos la elasticidad de los márgenes para cambiarlos de sitio. En cierto sentido este juego empezó antes que nosotras y no hemos hecho más que heredarlo. Nueva York, centro de centros, que parece atragantarse de su propia imagen ajena a la ocupación silenciosa de las troyanas del arrabal. Son las habitantes de los distintos niuyores y sus extrarradios en multiplicación, las que sostienen con su trabajo las iconicidades y comodidades de la ciudad, las que acometen a diario la singladura que recorre y anima el aparato circulatorio de la bestia urbana. Y también son la materia viva de una tradición que hoy escogemos.

Hay lindes que abrazan, medianeras tras la que resisten irreductibles galos. Si ha de haber un margen que nos sirva de trinchera nosotras elegiremos este: la universidad de todas que, a conciencia, produce los saberes para todas; que, aun llena de contradicciones, lucha por ensanchar sus dominios hasta desbordarlos, para iniciar un diálogo donde las palabras se manchen unas de otras. Una conversación que se derrame justo allí donde otros pretenden alzar los vergonzosos muros de su egoísmo para salvar sus centros y convertirlos en capitales de la intransigencia.

Hoy, cuando las fronteras de Europa se barnizan con la sangre fresca de los inocentes, cuando buena parte de los Estados Unidos engorda, con la Trumpa [sic] de la ponzoña y el miedo, la ensoñación de una alambrada que aleje el estúpido fantasma de un enemigo que, en realidad, lleva puestos sus zapatos, justo hoy, es necesario mirarnos para entendernos. ¿Y tú, compañera, desde qué centro te pronuncias?, ¿qué cartografías dibujas a diario?, ¿en qué abismos te columpias? y más aún, ¿qué muros fortifica tu silencio?

Otra pregunta: ¿Llegan las voces desde la periferia? Sí, llegan a gritos. Quizá nuestro triste mérito consista en haber aprendido a desoírlas.

Así que nuestra propuesta es sencilla, recuperar el nomadismo como arma, renunciar al terror acomodaticio que nos confina entre los muros simbólicos de las aulas y bibliotecas, abrir cada libro como quien rompe a patadas una puerta cerrada, usar las palabras a sabiendas de que todas ellas son prestadas, y vienen de lejos. Construir discursos con vocación peregrina. Acudir con constancia frenética al margen de nosotras mismas, donde habita la otra, para alimentar híbrido un lenguaje que no nos confunda y, así, conseguir todo lo que nos propongamos.

 

El equipo editorial

13 de mayo de 2016

 

[PT]

 

Um vagão que viaja a toda velocidade desde o leste do Brooklyn se ilumina, lentamente, em sua ascensão até Manhattan. Entretanto no ouvido do subsolo vibram mil sotaques. A rua 32 entre a quinta e a sexta é o imperio dos ideogramas. No fundo de um balcão do Harlem escuta-se paroquianas que se dirigem umas às outras utilizando, às vezes, a língua de de Juan Rulfo e Angela Davis. É a língua bífida, trífida, míxfida que parece cheirar o aroma e calcular a cerração. Um homem da Índia serve café na 34, atrás de um guichê uma mulher árabe converte em dólares os euros, alquimia do mercado global.

Propomos um jogo, rebeldia para sonhadoras, vamos praticar o transformismo: os centros por suas bordas, como quem dá volta em um suéter, aproveitemos a elasticidade das margens para mudá-los de lugar. Em certo sentido, este jogo começou antes que nós e não fizemos mais que herdá-lo. Nova York, centro dos centros, que parece se engasgar com sua própria imagem alheia à ocupação silenciosa das troianas do subúrbio. São as habitantes das distintas “novaiorques” e suas periferias em multiplicação, as que sustentam com seu trabalho as iconicidades e comodidades da cidade, as que executam dia a dia a singradura que percorre e instiga o aparelho circulatório da besta urbana. E também são a matéria viva de uma tradição que hoje escolhemos.

Há limites que abraçam, intermédios onde atrás resistem irredutíveis gauleses. Se há de existir uma margem que nos sirva de trincheira, nós escolheremos esta: a universidade de todas que, em consciência, produz os saberes para todas; que, ainda repleta de contradições, luta por estender seus domínios até transbordá-los, para iniciar um diálogo onde as palavras se salpiquem umas das outras. Uma conversa que se derrame justo ali onde outros pretendem levantar os vergonhosos muros de seu egoísmo para salvar seus centros e convertê-los em capitais da intransigência.

Hoje, quando as fronteiras da Europa se envernizam com o sangue fresco dos inocentes, quando boa parte dos Estados Unidos engorda, com a Trampa [sic] da peçonha e o medo, a fantasia de um alambrado que afaste o estúpido fantasma de um inimigo que, na realidade, calça sapatos, justo hoje, é necessário olhar para nós mesmos para entender. E você, companheira, a partir de que centro se pronuncia? Que cartografias desenha diariamente? Em que abismos se balança? E mais ainda, que muros fortificam seu silêncio?

Outra pergunta: Chegam as vozes da periferia? Sim, chegam a gritos. Talvez nosso triste mérito consista em ter aprendido a desprezá-las.

Sendo assim, nossa proposta é simples, recuperar o nomadismo como arma, renunciar ao terror acomodatício que nos confina entre os muros simbólicos das salas e bibliotecas, abrir cada livro como quem parte a pontapés uma porta fechada, usar as palavras com conhecimento de causa de que todas elas são emprestadas e vêm de longe. Construir discursos com vocação peregrina. Acudir com constância frenética à margem de nós mesmas, onde habita a outra, para alimentar híbrida uma linguagem que não nos confunda e assim, conseguir tudo o que nos propomos.

 

A equipe editorial

13 de maio de 2016

 

[EN]

 

The sound of a train speeding from the East side of Brooklyn becomes clear, slowly, on its way towards Manhattan. Still, underground a thousand accents click back and forth. On W. 32nd Street, between 5th and 6th there is an empire of ideograms. In the back of a bar in Harlem one can hear women talking with each other using the language of Juan Rulfo and Angela Davis all at once. It is a bifurcated tongue , trifected, mixed, that emerges to sniff aromas and size up the closedness. A man from India serves coffee on 34th, and behind him, an Arabic woman exchanges euros into dollars, the alchemy of the global market.

We propose a game, a rebellion for dreamers, we are going to practice transformism: the center for its borders, the way you turn a sweater inside out, we take advantage of the stretch of the edges to shift their place. In a sense, this game began before us and we have done nothing more than inherit it. New York, the center of centers, which seems to choke on its own image unaware of the silent occupation of the Trojans on the outskirts (the outer boroughs). They are the inhabitants of the different niuyores and her extra-radials multiplying, the ones that sustain the iconicities and comforts of the City, the ones that take on daily the round-trips that traverse and animate the circulatory system of the urban beast. And they are also the living matter of the tradition we choose today.

There are boundaries that embrace, medians behind which is the resistance of irreducible Gauls. If there must be a margin that can serve as a trench we will choose this one: the university for everyone that consciously produces the knowledge for everyone, that still full of contradictions fights on to widen its dominion until they spill over, to initiate a dialog where words will be stained by each other. A conversation that can spill over just where others pretend to raise the shameful walls of their egotism to preserve their centers and turn them into the capitals of intransigence.

Today, when Europe’s frontiers are varnished afresh with the blood of innocents, when a large part of the United States fattens up on the venom of Trump and the fear, the daydream of a wire fence that repels the stupid ghost of an enemy that—actually– is wearing the same shoes, precisely today, it becomes necessary to look at ourselves. And you, compañera, from which center do you pronounce yourself? What cartographies do you draw daily? Over which abysses do you swing? And, more still, what walls fortify your silence?

Another question: Do the voices come from the periphery? Yes, they come in shouts. Perhaps our sad merit is to have learned not to hear them.

So, our proposal is simple, to practice again nomadism as a weapon, to renounce the comforting and accommodating terror that confines us between symbolic walls of classrooms and libraries, to open each book as if kicking down a door, to use words knowing that they are all borrowed and they come from afar. To construct discourses with the vocation of a pilgrim. To rush with frantic constancy to the margins of ourselves, where the other lives, to hybridly nourish a tongue that will not confuse us and to be able to accomplish this way, everything we propose.

 

The editorial team

May 13, 2016

 

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