O tema do Duplo em Encuentro de Octavio Paz

Rodrigo Conçole Lage
Univesidade do Sul de Santa Catarina (Brasil)
rodrigo.lage@yahoo.com.br

 

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Resumen

 

O objetivo desse artigo é estudar o modo como o poeta Octavio Paz abordou a temática do duplo na obra Encuentro. Examinando como os escritores que trabalharam com o tema, ao longo do tempo, promoveram modificações, pretendemos demonstrar que o autor também o inova. Inicialmente apresentamos o livro e algumas discussões dos críticos sobre o gênero textual a que pertence e sua interpretação. Abordamos, na segunda parte, a questão do tema do duplo, em suas mais diferentes formas. Por fim, apresentamos uma análise do conto. Examinamos suas principais características e as inovações promovidas pelo escritor, dentre as quais destacamos a presença do humor.

 

Palabras clave

 

Octavio Paz, Duplo, Humor, Literatura Latino-Americana..

 

Abstract

 

The objective of this work was to study how the poet Octavio Paz worked with the thematic of double in Encuentro. Examining such as writers who worked with the theme, time after time, promoted modifications, aim to demonstrate that the author also innovates. In the first part we present the book and some discussions of critics about the genre to which it belongs and their interpretation. We approached, in the second part, the issue of the double, in its most different forms. Finally, we presented an analysis of short story. We have examined presenting their main characteristics and the innovations promoted by writer, among which we highlight the presence of the humor..

 

Key words

 

Octavio Paz, Double, Humor, Latin American Literary.

 

 

 

Introdução

Podemos dizer que, se durante muito tempo, foi visto como um gênero menor, o fantástico tem despertado cada vez mais o interesse de leitores e críticos. Além disso, se adotarmos a tese de Todorov (15) presente no Introdução à literatura fantástica, veremos que o gênero se associa com outros dois, o estranho e o maravilhoso. Dentre seus muitos temas escolhemos o do duplo como objeto de estudo. Nosso objetivo é examinar como a temática tem sido trabalhado na contemporaneidade e examinar as possíveis inovações dadas ao tema.

Isto não quer dizer que enquadramos a narrativa de Paz como pertencente ao fantástico. Parto da hipótese de que está relacionada ao realismo mágico latino-americano, que se apropria de muitos dos seus temas. Tania Mara Antoniette Lopes (20) afirma que “a narrativa realista mágica viola os padrões realistas de representação literária ao tornar natural o elemento sobrenatural, diferenciando-se, assim, da narrativa fantástica, que se utiliza da dúvida e ambiguidade para envolver o leitor no mistério”. Como a ambiguidade foi excluída da narrativa – o que veremos no decorrer da terceira parte desse artigo –, o que temos é a naturalização do sobrenatural. O que justifica nossa classificação.

Assim, para estudarmos esse assunto, escolhemos um conto de Octavio Paz, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1998. O conto narra o encontro do personagem com seu duplo, ao chegar em casa. Intrigado, ao se ver saindo da própria casa, ele o segue tenta alcançá-lo, mas não consegue atingir seu objetivo. O duplo entra num pequeno bar e é seguido pelo protagonista, que tenta conversar com ele. O duplo o ignora e o protagonista não é reconhecido por um dos clientes, que tentou mediar a situação. Ele agride o duplo e é expulso do bar. Ferido, com a roupa rasgada, ouvindo os risos e cantos que vinham lá de dentro, e desprezado por uma das freguesas, se sente só e expulso do mundo. Com vergonha, decide voltar para casa e se pergunta: “e se não fosse eu, e sim ele” (Paz 103).

Apesar de sua obra ser muito conhecida e estudada no Brasil, vemos que o interesse tem se concentrado, principalmente, em seus ensaios e, em menor grau, em sua poesia. Consequentemente, seus textos jornalísticos, biográficos, autobiográficos e contos têm sido completamente ignorados. Foi a constatação desse fato que nos levou a esse trabalho. Iniciamos nosso artigo apresentando a obra ¿Águila o sol?, no qual o texto foi publicado, discutindo a indefinição dos críticos sobre a classificação dos textos e as diferentes interpretações dadas ao livro.

Na segunda, apresentamos a temática do duplo, suas características e como tem se desenvolvido ao longo do tempo. Como referencial teórico-metodológico da questão utilizamos, principalmente, a tese Duplos em Tutaméia(Terceiras Estórias), de Adilson dos Santos, e a dissertação O duplo como manifestação do insólito em contos de Lygia Fagundes Telles e Ignácio de Loyola Brandão, de Francisco Edson Gonçalves Leite. Por fim, apresentamos uma breve análise do texto na qual examinamos o modo como diverge dos relatos tradicionais sobre o tema e a forma como o autor se utiliza do humor para produzir essa inovação. Como referencial teórico sobre a questão do humor utilizamos a obra de Mikhail Bakhtin e sua teoria da carnavalização.

 

1- O ¿Águila o sol? e a crítica: um exame da questão

¿Águila o sol?[1], de 1951, é um dos poucos livros de prosa poética, ou poemas em prosa, como alguns críticos os classificam, publicados por Octavio Paz. Ele apresenta uma forte influência do surrealismo e é considerado, por diferentes críticos, o marco inicial de uma nova etapa (Peña 55). O livro se divide em três partes. Na primeira, Trabajos del poeta[2], nós encontramos personagens que são a encarnação de diferentes vícios. Na segunda, Arenas Movedizas, encontramos contos escritos em prosa poética e na última parte, ¿Aguila o Sol?, temos uma coleção de poemas na qual o poeta retoma alguns dos temas trabalhados nas seções anteriores.

Um aspecto importante sobre a obra é a indefinição da crítica. Alguns classificam o livro como sendo uma combinação de poemas e textos em prosa poética, é o caso de José Francisco Conde. Outros como Roland Forgues (9), em Octavio Paz: el espejo roto, e Cynthia Marcela Peña falam de poemas em prosa. O livro seria inclassificável por ser composto, segundo o poeta e crítico literário mexicano Adolfo Castañón (1), do que ele chama de uma “miscelânea de contos, narrativas, poemas em prosa (ao estilo de Aloysius Bertrand, o fundador do gênero e de Baudelaire), aforismos, ímpetos de romance”.

Diante dessa indefinição como classificar então o texto Encontro? Um conto em prosa poética ou um poema em prosa? Em primeiro lugar, adotamos a definição de Luis Ignacio Helguera, um importante estudioso do gênero, de que a “prosa poética é uma prosa em que se recorre a procedimentos poéticos como a imagem, a metáfora, a estrutura paralelística, etc.”[3] (1993 15 apud Peña 13). Ela não pode, portanto, ser confundida com o poema em prosa no qual, segundo o mesmo teórico, “a poesia não se introduz na prosa como um ingrediente, mas que se expressa em prosa, se torna prosa sem deixar de ser poesia” (Peña 13).

Assim, no primeiro caso, alguns recursos poéticos são utilizados em sua elaboração e, no segundo, temos a confecção de um poema que, em lugar do verso, se utiliza a prosa. Partindo desse princípio, o consideramos um conto em prosa poética. Seria importante um estudo detalhado de cada texto, com o objetivo de verificar se todos poderiam ser classificados como contos ou se há uma mistura de gêneros, mas isso fugiria aos limites desse trabalho. Em nossa definição seguimos as leituras de, entre outros, José Francisco Conde, Nedda G. de Anhalt e Lauro Zavala.

Como não vemos no texto a presença de um conteúdo lírico ou uma recriação lírica da realidade, nem a presença de uma linguagem conotativa, seguimos a mesma interpretação. Tais características, segundo Hênio Tavares (162-166), são essenciais em um poema em prosa, apesar do teórico não diferenciar os dois gêneros. Além disso, se adotarmos a definição de conto como “uma narrativa concisa, com poucos personagens, que aborda um só assunto, dentro de um espaço de tempo limitado, podendo, ou não, recontar um fato passado e de fácil entendimento para todos aqueles que o leem” (BOLSON 27), vemos que o texto de Paz se encaixa nessa definição.

Após a discussão do gênero a que pertence é preciso destacar a questão das diferentes leituras que a obra recebeu da crítica. Não pretendemos fazer um exame exaustivo da questão, mas apresentar uma pequena amostra de como vem sendo lido e que poder servir de base para novas pesquisas sobre a questão. Nesse sentido, destaca-se o fato de que os críticos veem no livro “uma busca espiritual dos recursos da linguagem” (Peña 55). Essa busca tem sido interpretada de diferentes maneiras.

Para Sonja Herpoel, ela ocorre através do conflito entre o poeta e a palavra. Na visão da crítica, a primeira parte “esboça o conflito apresentado–poeta-palavra–de uma maneira experimental por meio de jogos verbais” (Peña 56). Na sequência, Paz “se afunda no subconsciente desejoso de romper o silêncio entre palavra e criador. O poeta se resigna a fazer parte de um processo de vida-morte continuo, para que com ele surja a palavra adequada” (Peña 56). Por fim, defende que a última parte implicaria uma tomada de consciência da parte do poeta ante a necessidade de se forjar uma nova linguagem que possa contribuir para a mudança da realidade social (Peña 56).

Já para José Francisco Conde (26), “Octavio Paz busca a união definitiva com a Poesia. As três partes de seu livro seguem as vias da mística para esse propósito: a purgativa, a iluminativa e a unitiva. (…) Em cada uma delas o poeta vai percorrendo o caminho que o levará a se encontrar com a Poesia”. Isto é, assim como os místicos buscavam uma união com Deus, percorrendo as três vias ou etapas da mística, o poeta segue esse mesmo caminho em ¿Águila o sol?.

Assim, temos inicialmente “o momento do castigo, da purificação, do abandono do acessório para poder chegar ao essencial” (Conde 26) e a palavra é o instrumento utilizado para esse fim. Pois, só os que passaram por um processo de purificação poderiam contemplar seu alvo, na segunda etapa. O crítico confirma essa asserção ao afirmar que “quando se passa o processo de expiação ou aprendizagem, se avista o território por conquistar” (Conde 26). Nesse sentido, diferentemente do místico que não conhece nem pode conhecer aquele com quem irá se unir, Paz partia do princípio que “se entra num terreno já reconhecível” (Conde 26).

Na última parte dessa trajetória ocorreria a união dos dois ao termos “o domínio da Palavra pelo que preparou o caminho” (Conde 27). Se para o místico a união significava a perda de si mesmo ao se preencher com a vontade divina, para Paz essa união significava “o ganha o domínio da Palavra” (Conde 28). Mas o que ocorre depois dessa união? Para o crítico, “depois disso, do domínio e da união vem a oferenda” (Conde 28). O poeta, então, é aquele que, após ter percorrido as três vias e obtido o que desejava, distribui aos demais o prêmio conquistado: a Palavra que se materializa em seus poemas.

Apresentamos também a interpretação de Cynthia Marcela Peña que defende a ideia de que o livro é composto de dois temas. Em relação ao primeiro, defende a ideia de que nas três partes da obra “se desenha um plano ou uma trajetória que concerne tanto ao terreno do formal como ao do conteúdo” (Peña 90). Na primeira parte[4], segundo a pesquisadora, “o falante poético centra seu discurso na mediação acerca da atividade do poeta e sua função dentro da realidade circundante. Nesta serie de poemas em prosa imperam os jogos verbais e a derivação de palavras” (Peña 90). Na segunda[5], o poeta “explora por meio de uma linguagem mais contida que o da primeira a luta entre o poeta e a palavra” (Peña 90). A última parte[6] “sintetiza este processo de conflito constante” (Peña 92).

Já o segundo tema apresentado por Cynthia é o da busca da própria identidade por meio da qual o EU poético tenta “encontrar a justa dimensão do caráter de ser mexicano” (Peña 96). Nesse sentido, na terceira parte do livro teríamos o momento mais importante dessa busca, pois ela “apresenta um afundamento nas raízes da língua e o contexto histórico-mítico do ser mexicano” (Peña 90). A partir do que foi dito, podemos dizer que, mesmo seguindo diferentes linhas de interpretação, os críticos normalmente partem do mesmo princípio. Na sequência, examinaremos a questão do duplo e diferentes leituras que o tema recebeu ao longo do tempo. A partir desse referencial, analisaremos o texto de Paz, discutindo as inovações do tema com destaque para a presença do humor.

 

2- O tema do duplo: um exame da questão

A literatura é composta de temas que, em maior ou menor grau, se repetem ao longo do tempo e dentre eles escolhemos como objeto de estudo o duplo, que se encontra também presente no cinema e nas artes plásticas. Segundo Adilson dos Santos (2009 54), o tema do duplo se originou nas antigas religiões, podendo ser observado em diferentes mitologias. Tendo sido levado posteriormente para o âmbito da literatura, como podemos ver em Os menecmas e no Anfitrião do dramaturgo latino Plauto, até ganhar mais destaque, segundo o referido autor, “precisamente a partir do século XVIII” (Santos 51).

Essa situação levou a uma universalização do mito nas mais diferentes formas de arte (literatura, artes plásticas, música e cinema). Ao mesmo tempo, podemos ver que ao longo do tempo ele vai assumindo diferentes formas. Do ponto de vista literário o tema tem sido dividido em duas fases. Inicialmente teríamos uma “figuração do homogêneo” (Santos 66), onde encontramos uma unidade de consciência no sujeito e outra no duplo. Assim, ele se apresenta como o outro. Nesse primeiro período encontramos uma das mais difundidas definições, que está associada a ideia de uma criatura sobrenatural, a do doppelgänger. Segundo Anita Jovelina Brito (44-45):

Doppelgänger é um termo alemão cunhado por Jean-Paul Richter (1796) e apresentado no verbete Duplo, de Nicole Fernandez Bravo, para designar o duplo. Doppel significa duplo, cópia, réplica e Gänger significa aquele que vaga, andante. Com a junção das palavras temos um duplo que caminha ao lado, um segundo“eu”. O termo provém de lendas germânicas que dizem que cada um de nós tem um monstro, um ser fantástico, o qual é capaz de copiar com exatidão nossos traços e gestos e até mesmo nossos sentimentos mais íntimos. Essa “cópia” passa a aparecer para a pessoa e a assombrá-la.

Deve-se destacar o fato de que, nessa fase, o encontro com o outro será sempre uma experiência negativa, cuja consequência será comumente o confronto, numa tentativa de aniquilação ou usurpação. Segundo Francisco Edson (45) “esse confronto pode realizar-se através da presença simultânea do original e da cópia, por meio do espelhamento e da contemplação de sua imagem pela personagem, por exemplo”. Isto é, o confronto nem sempre se dará por meio de um embate físico.

Além disso, segundo o mesmo autor, temos os danos psicológicos da descoberta do outro. A inquietação gerada pela descoberta, o efeito desestabilizador que ela produz – muitas vezes levando a loucura – e os questionamentos a respeito da própria identidade e/ou da própria unidade que perpassam a mente do indivíduo. Em boa parte dos relatos fantásticos, principalmente nas histórias de horror, a duplicidade não é vista como algo positivo, o que elimina totalmente a ideia de uma “uma união dos opostos rumo ao ser perfeito” (Edson 45). Pelo contrário, em muitos dos diferentes autores que escreveram sobre o tema, a afirmação da própria identidade perpassa pela destruição do outro.

Mas, mesmo sendo o portador de sua própria consciência, esse outro representa o idêntico e está, consequentemente, ligado a ideia do alterego, dos gêmeos e do sósia. Neste sentido, “dois personagens dotados de identidade própria e sustentando uma subjetividade própria, apresentam perfeita semelhança física e, às vezes, até comportamental, a ponto de dificultar a sua identificação” (Edson 66). O príncipe e o mendigo de Mark Twain é um exemplo desse tipo, pois, Tom Canty e Edward Tudor são sósias (tem a mesma idade e a mesma aparência física) e por isso conseguem trocar de lugar e enganar as pessoas a sua volta. Nos dois casos apresentados temos o que Santos (69) chama de duplo exterior (cuja origem se encontra no exterior do EU).

Podemos incluir nessa primeira fase um tipo de duplointerior (cuja origem se encontra no EU). Partindo da dualidade corpo/alma alguns o veem como a própria alma do indivíduo. Do ponto de vista religioso, adotado também por alguns escritores, o duplo seria a alma que sai quando o sujeito dorme (ou se separa dele após a morte) ou sua sombra. Sabendo que “para os povos primitivos, a sombra era a personificação ou o equivalente da alma humana” (Santos 55).

Segundo o pesquisador, “nas línguas de variados povos, uma mesma palavra pode significar “sombra”, “espírito”, “alma”, “imagem”, “reflexo”, “eco” e “duplo”” (Santos 55). Partindo desse princípio, podemos dizer que ele também se apresenta, não como outro ser, mas como uma imagem (o reflexo na água ou no espelho, da fotografia ou de uma pintura). Ou seja, existiria “a idéia de que a alma de um indivíduo aparece personificada na sua imagem” (Santos 57). O romance O retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde é construído a partir dessa noção ao apresentar um retrato pintado como o duplo da alma de Dorian. Essa interpretação surge da associação existente entre os conceitos de sombra, alma e imagem.

[…] é algo que, tendo sido originário a partir de um indivíduo, adquire qualidade de projeção e posteriormente se vem a consubstanciar numa entidade autônoma que sobrevive ao sujeito no qual fundamentou a sua génese, partilhando com ele uma certa identificação. Nesta perspectiva, o duplo é uma entidade que duplica o “eu”, destacando-se dele e autonomizando-se a partir desse desdobramento (Cunha 1)

A visão religiosa é uma figuração do homogêneo na medida em que há uma duplicação e não uma cisão do EU, apesar da identificação que eles partilham. Seja como for, é preciso destacar o fato de que desde os primórdios o duplo não é necessariamente visto entendido como um ser diferente. Mas será somente no final do século XVI, o início da segunda fase, que a literatura irá beber intensamente dessa noção de que o duplo é algo interno ao sujeito

Nela, ele se apresenta como uma “representação do heterogêneo” (SANTOS 67), da divisão do EU, da cisão da personalidade que, de um ponto de vista psicológico, pode ser associada ao desdobramento histérico ou a esquizofrenia. O Estranho Caso do Doutor Jekyll e do Senhor Hyde de Robert Louis Stevenson é um exemplo clássico desse novo padrão. Uma grande mudança, nessa fase, ocorre na relação do sujeito com seu duplo. Se inicialmente tínhamos uma relação meramente antagônica vamos encontrar relações positivas onde os dois poderão vir a se auxiliar ou a se complementarem. Nesse sentido, ele se apresenta, segundo Santos (69):

como um ser complementar e/ou auxiliar; na condição de um substituto perfeito; na qualidade de protetor ou de ameaçador e perseguidor; como agente responsável por trazer à tona uma outra faceta até então desconhecida – seja ela a mais vergonhosa e/ou tenebrosa ou não; enquanto opositor e/ou inimigo e etc. o modo particular como o relacionamento com o outro irá se dar vai depender do contexto e da forma como o “eu” irá julgá-lo. Nos casos em que houver um processo de identificação e cumplicidade (duplo positivo), a relação será harmoniosa, desejosa e pacífica. Já nos casos em que não houver semelhança no sentir, pensar e agir (duplo negativo), mas a reunião de caracteres próprios diametralmente opostos, haverá uma relação de tensão e conflito e o outro poderá assumir a posição de adversário e desafiar ao combate.

Mas essas relações positivas não mudam o fato de que a morte seja o fim mais comum das histórias. Além disso, outra mudança importante foi o fato de que o duplo, agora, pode não ser uma segunda entidade totalmente independente do sujeito, mas uma segunda personalidade que alterna com a primeira sem que exista uma interação entre as duas. A nova personalidade, que surge durante a cisão do EU, pode não se consubstanciar “numa entidade autônoma, destacada do sujeito, com o qual ele possa interagir física e verbalmente (…), os duplos não podem coexistir em um único e mesmo espaço, em um único e mesmo tempo” (Santos 72).

As diferentes interpretações do tema aqui apresentadas estão longe de esgotar o assunto, algo que fugiria aos limites de um mero artigo, mas nos apresentam uma visão ampla do modo com tem sido comumente trabalhado e que pode ser complementada por meio de outros trabalhos. A partir do que foi dito passamos então a analisar o texto de Octavio Paz.

 

3- Encuentro: uma subversão do tema do duplo

Um problema para os críticos e leitores brasileiros é o fato de que originalmente este conto não estava incluído na segunda parte da obra. Assim, o sentido do texto deveria ser baseado no que tem sido dito a respeito da primeira parte e não da segunda. Por outro lado, como foi o próprio autor que revisou e autorizou a publicação dessa versão pode-se entender que ele passou a dar ao texto um sentido diferente. O que não exclui a possibilidade de Paz ter dado um novo sentido a obra como um todo, pois as mudanças estão presentes nas três partes.

No conto de Octavio Paz temos um narrador autodiegético, isto é, que conta sua própria história, relatando seu encontro com o duplo. Mas não sabemos o nome do protagonista, nem seu passado. Além desse sentido literal do texto não podemos esquecer as diferentes interpretações da crítica. Se partirmos do princípio de que a história narra a relação do poeta com a palavra o protagonista representa o poeta e o duplo é um símbolo da palavra.Tal simbolização se ajusta ao conceito de analogia, que é um dos conceito fundamentais do escritor:

A analogia é a visão do universo como linguagem: todos os seres se correspondem formando uma rede de relações, um texto. A idéia de analogia constitui o princípio original do homem, sua tradição primeira, e sua função é opor a regularidade à contingência e ao acidente, a semelhança à diferença e à exceção. O universo deixa de estar à deriva e ao sabor do acaso (Almeida 52 apud Cripa 58).

À partir desse ponto de vista, podemos dizer que todo o conto deve ser visto como uma rede se signos, “uma linguagem em que cada signo possui o seu correspondente” (CRIPA 58). O fato de ser um termo que está intimamente relacionado a poesia não impede que, ao escrever seus contos, também possa ser relacionado a sua produção contística.

No que diz respeito ao conto propriamente dito, se normalmente o mistério que ronda a existência do duplo e o conflito dos dois são elementos centrais das histórias, Paz segue o caminho inverso. Por ser um tema típico do fantástico, a presença do mistério é um elemento fundamental, sem a qual não poderia ser criada a ambigüidade que caracteriza o gênero, segundo a teorização de Todorov. Além disso, podemos dizer que o conflito presente na narrativa existe porque o duplo, ao contrário das narrativas tradicionais sobre o tema, não se oculta. Isso parece confirmar a tese de Conde, de que a segunda parte representa a via a iluminativa pois o outro representa um terreno já conhecido.

A confirmação da existência do outro não é o ápice da curva dramática do conto, pelo contrário, ela se dá naturalmente: “AO CHEGAR EM CASA, e mais precisamente no momento de abrir a porta, vi-me saindo. Intrigado, decidi seguir-me. O desconhecido –escrevo refletidamente esta palavra– desceu as escadas do prédio, cruzou a porta e saiu à rua” (Paz 99). Podemos então dizer que temos uma história típica na qual a manifestação do outro se dá por meio da figuração do homogêneo.

Mas há um diferencial em relação as histórias da primeira fase do tema, tal como foi dito na seção anterior. Não há dramaticidade em seu encontro com o duplo e devido a essa ausência o protagonista não entra em confronto com o outro. Tudo acontece de forma tão rápida e inesperada que o duplo sai do prédio e vai para a rua antes que o protagonista possa fazer alguma coisa. Sendo um escritor do século XX, Paz vai subverter o tema ao eliminar o embate entre os dois, numa releitura que segue os novos parâmetros presentes na segunda fase. Além disso, pelo modo como se deu o encontro, o autor eliminou outro elemento importante no processo de construção da narrativa referente ao tema do duplo.

Nas histórias o encontro com o outro muitas vezes está permeado pela presença da ambiguidade em relação ao seu estatuto ontológico. Isto é, o protagonista, no decorrer da narrativa, não tem certeza se ele realmente existe ou não (podendo ser, por exemplo, uma alucinação). Essa incerteza pode permanecer até o fim, mas comumente essa dúvida de encerra quando ocorre o encontro final entre os dois. Podemos destacar o conto William Wilson de Edgar Allan Poe como um exemplo de narrativa que joga com essa dúvida. Todavia, no conto de Paz isso não acontece. Desde o início não há nenhuma dúvida sobre a existência do outro e, para completar, não há temor, espanto ou ódio por sua existência.

Nesse sentido, outro toque original aparece na sequência quando o protagonista segue o duplo até um bar onde o observa discretamente. Se adotarmos a interpretação de Sonja podemos dizer que o fato de segui-lo simboliza o desejo de romper o silêncio que há entre a palavra e seu criador. O narrador, então, descreve o contato dos dois que tem certo toque de humor. Para compreendermos o modo como ele se apresenta seguimos as teses de Bakhtin. Ao estudar a sociedade e a cultura medieval ele parte do princípio de que existe a cultura oficial e a popular, que tem como marcas o carnaval e o riso.

E, o que é mais importante, no carnaval vamos encontrar uma subversão da realidade, isto é, “uma vida desviada da sua ordem habitual, em certo sentido uma “vida às avessas”, um “mundo invertido”” (1997 122). Essa inversão da realidade produz uma contradição, entre o personagem e a situação que ele está vivenciando, que gera o efeito cômico. No conto de Paz o humor segue o mesmo princípio. A comicidade da situação nasce da contradição entre a ideia que se tem do duplo (e da forma como ele deveria reagir) e a da realidade apresentada na história, pois quem fica chocado com a situação é o duplo e não o protagonista:

De repente virei-me e o olhei longa, fixamente. Ele ficou vermelho, confuso. Enquanto o via, pensava (com a certeza de que ele ouvia meus pensamentos): “Não, é inaceitável. Você chegou um pouco tarde. Eu já estava antes de você. Não é possível aceitar a desculpa da parecença, pois não se trata de semelhança mas de substituição. Mas prefiro que você mesmo se explique…” (99-101).

Além disso, esse encontro pode ser o início simbólico, caso se adote as teses de Cynthia, da luta entre o poeta e a palavra. Não há temor, confusão, surpresa, raiva, ou qualquer outro sentimento semelhante da parte do protagonista. Ele se mostra indignado e condena o fato do outro ter tentado substituí-lo porque chegou primeiro e não aceita que tentem tomar o seu lugar. Por outro lado, o duplo se mostra constrangido com a situação, como se tivesse a consciência de que estava agindo errado.

Não há nada nesse encontro que lembre os relatos fantásticos, como podemos ver pelo que foi dito na segunda parte deste artigo. Pelo contrário, todas as situações relacionados ao encontro com o duplo ocorrem com naturalidade, como se fosse o simples encontro de duas pessoas. Apesar do caráter fantástico da existência de um duplo o conto é em si um relato realista. E o modo como os acontecimentos são descritos, como dissemos inicialmente, se assemelha as obras do realismo mágico como podemos ver, por exemplo, nas de Gabriel García Márquez.

Paz subverte a forma como a relação entre o eu e o outro é trabalhada. Primeiro, porque o protagonista não sente medo ou constrangimento diante desse encontro, mas indignação pela situação; e, em segundo lugar, devido ao constrangimento do duplo. Se, comumente, o foco seria a questão da substituição pelo outro, temos aqui a problemática do encontro, da relação entre o eu e o outro. Essa subversão continua de forma cômica com o fato do duplo, ignorando-o, começar a conversar com outra pessoa. Essa atitude deixou o protagonista furioso e o levou a interpelá-lo. É importante se destacar o fato de que todo o humor do conto está baseado unicamente nessa contradição entre o ideal e o real, tal como encontramos na teoria de Bakhtin sobre o carnaval. O diálogo travado entre os dois é de grande comicidade:

– Não finja ignorar-me. Não se comporte como tonto.
– Peço-lhe que me perdoe, senhor, mas não creio conhece-lo.
Quis aproveitar seu desconcerto e arrancar-lhe a máscara de uma vez:
– Seja homem, amigo. Seja responsável pelos seus atos. Voe ensinar-lhe a não intrometer-se onde não é chamado… (p. 101)

Mais uma vez se realça a ausência de em relação ao outro. Na verdade, o protagonista percebe, ou acredita perceber, que o desconcertado é o duplo e não ele. Além disso, a semelhança dos dois deveria ser evidente para os outros, mas não é. O autor se utiliza desse fato para dar mais um toque de humor a história. Que também está presente quando um freguês afirma conhecer o duplo e diz para o protagonista: “– É curioso, tenho a impressão de têlo (sic) visto antes. E, entretanto, não saberia dizer onde” (101). A comicidade está no fato dele não perceber que tem essa impressão porque os dois indivíduos que estão na sua frente são idênticos.

Paz trabalha de forma cômica com a ideia de substituição, pois, na visão do narrador, o freguês deveria se lembrar dele e não do outro. Além disso, em vez de ficar assustado ou abalado psicologicamente com essa situação, ele acha graça: “Começou a perguntar-me por minha infância, meu estado natal e outros detalhes de minha vida. Não, nada do que lhe contava parecia recordá-lo de quem eu era. Tive que sorrir. A todos parecia simpático. Tomamos uns tragos” (101). Contudo, esse sentimento não dura muito e ele se deixa dominar pela raiva, o que irrita os outros fregueses, gerando tumulto e uma briga dos dois que terminou mal para o protagonista:

Sua calma me exasperava. Quase com lágrimas nos olhos, agarrando-o pela lapela, gritei-lhe:
–Então, não me conhece? Não sabe quem eu sou?
Empurrou-me com violência:
–Não me venha com histórias idiotas. Deixe-nos em paz, não crie problemas.
Todos me olhavam com reprovação. Levantei-me e lhes disse:
–Vou explicar-lhes o que está acontecendo. Este senhor é um impostor, está enganando a todo mundo…
–E você é um imbecil e um desequilibrado –gritou.
Atirei-me contra ele. Infelizmente, escorreguei. Enquanto procurava apoiar-me no balcão, ele me arrebentou a cara com seus murros. Esmurrava com sanha contida, sem falar nada (103).

A luta entre o personagem e seu duplo é comumente o ápice da curva dramática das histórias tradicionais e nesse conto não é diferente, apesar do toque de humor. Do ponto de vista simbólico ela pode ser vista como a derrota do poeta diante de seu embate com a palavra. Na sequencia da história, após a intervenção do barman, os dois são separados e o protagonista é carregado e jogado na rua. Do ponto de vista simbólico poderíamos ver no grupo formado pelo barman e seus clientes os leitores, situados no meio do combate entre o escritor e a palavra, que se apossam da palavra em detrimento do escritor.

Apesar da derrota, e do péssimo estado em que ficou após a luta, ele pensa em se vingar. A alegria dos clientes do bar e o desprezo com que é tratado pelo casal que vai embora o deixam desanimado e solitário: “Senti-me sozinho, expulso do mundo dos homens” (103). Sentimentos comuns naqueles que foram substituídos por um duplo. Ao mesmo tempo é movido pela raiva do outro e pela vergonha de se sentir movido por tais sentimentos. Ao contrário de outras histórias, onde a vítima do duplo não pode voltar ao seu antigo lar porque foi substituído, ele acredita que o outro não voltará. Isso explica porque pretende voltar para casa e esperar por uma nova oportunidade para agir.

Contudo, uma dúvida aparece durante a caminhada, e ele diz que “ainda hoje me sobressalta” (103). Com essa afirmação ficamos sabendo que o narrador descreve algo que lhe aconteceu no passado, o que significa que o duplo não voltou a aparecer diante dele. Seu questionamento é: “e se não fosse ele, e sim eu?” (103). Vemos então que o protagonista não tem mais certeza da própria identidade e se questiona se o duplo não seria o “verdadeiro” e ele o “outro”. Do ponto de vista simbólico, dentro da questão do antagonismo entre o poeta e a palavra, podemos dizer que a dúvida do narrador representa um questionamento a respeito da superioridade desta em relação ao poeta.

O poeta seria aquele que lhe dá sentido, e nesse caso ela seria uma imitação das ideias de quem fala, ou a palavra traz em si mesma seu próprio sentido e o poeta simplesmente imita esse sentido ao utilizá-las na construção do seu pensamento? Essa questão é, segundo o próprio Paz, uma das maiores preocupações encontradas em muitos dos poetas coetâneos a ele. Octavio Paz não pretende dar uma resposta a essa questão, ele a problematiza e procura levar o leitor a refletir sobre o assunto.

Além disso, não podemos esquecer que, segundo Paz, o conceito de analogia “identifica o eu e o outro, restabelecendo a unidade entre a palavra e o mundo,unidade que se faz na diferença, pois, sabe-se que um e outro são distintos” (CRIPA 60). Se adotarmos essa linha de pensamento, a partir da qual o personagem percebe que, ao mesmo tempo em que os dois são distintos eles são iguais, o questionamento do protagonista seria uma representação dessa ideia. Isso nos remeteria a outro de seus conceitos, a otredad.

A analogia, então, pela consciência do outro e pela consciência da cisão entre palavra e mundo, será restabelecida, não a partir da semelhança, mas pela identidade do eu e do outro, definida por Paz como otredad. A experiência da otredad compreende um ritmo de separação e reunião que está presente em todas as manifestações do ser. No homem, ela se expressa como uma queda, um sentir-se só em um mundo estranho e como reunião com a totalidade” (Cripa 60).

A partir do que foi dito, podemos então dizer que, ao analisarmos o conto como a relação do poeta com a palavra, não devemos excluir outras leituras. O conflito do protagonista com seu duplo está intimamente relacionado com a problemática da identidade e a alteridade. Portanto, a leitura do texto também nos deve levar a pensar tais relações.

 

Conclusão

Ao lermos o texto de Octavio Paz vemos nele um conto e não um poema, apesar de alguns assim o definirem. O autor retoma um tema clássico da literatura e cria uma obra original ao combinar novas características, principalmente o humor, com alguns elementos recorrentes dessa temática. Seja como for, a partir de algumas das interpretações dadas pela crítica podemos dizer que a narrativa simboliza o conflito do poeta com a palavra. O que não exclui outras leituras como, por exemplo, a que pode ser feita a partir da questão da otredad.

E esse embate leva ao questionamento sobre quem é superior a quem. Nessa relação do poeta com a palavra, quem é preeminente? A poesia seria fruto da inspiração, sendo assim superior? Será o poeta que imita a palavra ao escrever um poema ou ela, que imita o poeta ao servir de matéria-prima para o que escreveu? Essas são algumas perguntas que o conto suscita aos leitores. São questões que estão relacionadas à própria essência do fazer poético e, acreditamos, os futuros poetas continuarão a pensá-las e a buscar respostas, pois a busca é tão importante quanto a resolução dessas questões.

De qualquer forma, o texto aponta para o fato de que o conflito não nasce do poeta em si, mas de seu encontro com a palavra, que gera um questionamento a respeito de sua preeminência em relação ao autor. Por fim, a partir do que foi dito, podemos então estudá-lo como sendo um texto da primeira parte de ¿Águila o sol?, se adotarmos a interpretação de Sonja ou a de Conde, ou um da segunda, caso adotemos a de Cynthia.

Além disso, seria preciso também examinar até que ponto essas interpretações correspondem à intenção do autor e, independentemente disso, o valor e as limitações de cada uma delas, o que fugiria aos limites de nossa pesquisa. Por tudo o que foi dito, esperamos contribuir para despertar o interesse pelo livro, e por sua produção contística, de modo a preencher as lacunas de nosso trabalho e enriquecer nosso conhecimento a respeito da obra de Octavio Paz.

 

Notas

[1] A versão com a tradução em português,vide Referências, diferentemente de outras edições, não contém as ilustrações.

[2] José Francisco Conde (2004, p. 26) nomeia a primeira parte de “Trabajos forzados”. Esse foi o nome anteriormente dado a essa seção.

[3] Neste trabalho, todas as traduções das citações são de nossa autoria, excetuando-se as citações de Octavio Paz.

[4] Na edição utilizada por Cynthia Peña a primeira parte tem dezesseis textos, mas na brasileira são dez no total. Nedda G. de Anhalt (2008), também menciona 16, o que parece indicar que alguns não foram traduzidos para o português. Entre as ausências temos o Tedevoro e o Tevomito.

[5] Na edição utilizada por Cynthia Peña a segunda parte tem nove textos, um a menos que na brasileira. Nedda (2008) também menciona nove. Sendo que o texto por nós estudado, Encuentro, é o que está ausente da edição utilizada por Cynthia.

[6] A edição brasileira, e a mencionada por Nedda (2008), possui vinte e dois textos na última parte, um a mais que a edição utilizada por Cynthia Peña, sendo que o acréscimo é formado pelo Himno futuro.

 

 

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